Princípio do Poder do Estado

2026-05-01

Princípio do Poder do Estado

Premissa 1: O Estado restringe a nossa liberdade através das suas leis; em particular, os Estados roubam-nos ao tributar os nossos rendimentos sob ameaça de punição, e fazem cumprir as suas leis através da detenção e encarceramento contra a nossa vontade.

Premissa 2: Não consentimos na restrição da nossa liberdade pelo Estado: a lotaria do nascimento significa que não podemos escolher o Estado em que nascemos e, embora possamos mudar-nos para outros Estados, não há forma de escapar ao controlo de um Estado (afinal, não existem grandes extensões de terra não reclamada).

Premissa 3: Uma vez que o Estado restringe violentamente a nossa liberdade através das leis e não podemos consentir nessas leis, o Estado deve restaurar a nossa liberdade permitindo-nos moldar democraticamente a natureza dessas leis. O Estado deve-nos esta reparação.

Conclusão: A democracia é um direito absoluto.

Refutar o PPE

O Princípio do Poder do Estado é um silogismo de três partes: primeiro, os Estados restringem a nossa liberdade através das leis; segundo, não podemos consentir com o Estado; terceiro, o Estado deve restaurar a liberdade que nos rouba de forma não consensual, permitindo-nos moldar essas leis através da democracia. Vamos refutar cada elemento.

Responder à Premissa 1: O estado rouba-nos a liberdade e ameaça a violência.

Resposta 1: Os estados restringem de facto a nossa liberdade, mas forças não estatais restringem-na ainda mais. Por exemplo, a pobreza restringe as escolhas (ex.: não posso viver a minha vida livremente se não consigo pagar necessidades básicas) e a violência também restringe as escolhas (ex.: não posso viver a minha vida livremente se vivo em constante medo de violência física).

Resposta 2: Os estados aumentam, em vez de diminuir, a nossa liberdade. Somos mais livres quando todos aceitam limites à liberdade (isto é, quando todos concordamos em seguir as leis do estado) do que quando ninguém aceita limites à sua liberdade (isto é, quando vivemos no estado de natureza). Isso porque a liberdade ilimitada é autodestrutiva. O exercício sem restrições da liberdade ilimitada reduz a liberdade de duas formas:

Implicação: A premissa-chave do PPE é que o estado nos rouba a liberdade. Mas o estado não nos rouba a liberdade. Ao limitar parcialmente a agência através da aplicação das leis, o estado aumenta a nossa liberdade de forma global. Uma vez que o estado aumenta — em vez de diminuir — a liberdade, o estado não tem nenhuma obrigação reparadora a cumprir. A premissa do PPE cai, portanto, por terra.

Responder à Premissa 2: Não podemos consentir com a coerção sob o estado.

Resposta 1 (Consentimento Implícito): As pessoas consentem de facto em viver sob o estado e, portanto, aceitam a autoridade do estado de duas formas.

Resposta 2 (Consentimento Hipotético): O consentimento explícito ao Estado não é necessário porque o consentimento hipotético é suficiente.

Responder à Premissa 3: O Estado deve restaurar a nossa liberdade através da democracia.

Resposta 1: O Estado já restaura a nossa liberdade de formas não democráticas — por exemplo, protegendo-nos do crime, salvaguardando os direitos de propriedade privada e fornecendo bens públicos como estradas, hospitais e escolas. Estes benefícios proporcionados pelo Estado aumentam diretamente a nossa liberdade (por exemplo, as estradas aumentam a nossa liberdade de ir onde quisermos, e as forças de segurança aumentam a nossa liberdade de viver sem medo de violência).

Resposta 2 (Utilitarista): Por que razão importa a liberdade? O PPE defende que a liberdade é importante porque cada pessoa tem uma conceção diferente da vida boa e está, portanto, na melhor posição para maximizar o seu próprio bem-estar. Este argumento concede que a autonomia é um bem instrumental: beneficiamos da liberdade na medida em que ela melhora as nossas vidas. Esta concessão tem duas implicações:

Resposta 3 (Utilitarista): A liberdade é moralmente irrelevante porque o livre-arbítrio não existe, por três razões:

Resposta 4 (Direitos das Minorias): O Estado deve dar prioridade aos direitos das minorias acima da vontade da maioria democrática, por três razões.

Nota: este texto foi traduzido do Vietnam Matter File de Ryan Lafferty e cross-posted no blog do CNADU